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sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Os EUA mantêm com custos altíssimos suas 'operações militares' no Iraque.



Retirada estadunidense do Iraque é um engano

 BARACK Obama tornou efetiva uma de suas promessas eleitorais, ao anunciar: "Depois de quase nove anos, acabará a guerra estadunidense no Iraque". A reafirmação de sua soberania por parte dos iraquianos (ao não concederem impunidade às tropas norte-americanas) foi o ponto chave e 39 mil soldados estadunidenses sairão do Iraque, nos fins deste ano.

 Washington substitui suas tropas por "empreiteiros de segurança privados", ao estilo Blackwater, agora amparados por imunidade diplomática.

 Jonathan Steele escreveu que a guerra do Iraque tinha acabado e que os Estados Unidos tinham aprendido "que pôr botas ocidentais no território de um país estrangeiro, particularmente em um país islâmico, é uma loucura". Porém, esta loucura pode continuar de forma diferente, já que existe uma imensa distância entre a retórica e a realidade que rodeia a retirada estadunidense do Iraque. De fato, existem vários caminhos por meio dos quais, os Estados Unidos poderão exercer sua influência militar no país.

Estes caminhos podem ser divididos em quatro categorias principais:

1. Embaixada, consulados e empreiteiros de segurança privados

 A embaixada estadunidense (a maior e a mais cara do mundo) encontra-se numa zona verde de sua propriedade em Bagdá, recebe os suprimentos mediante caravanas armadas, gera sua própria água e eletricidade e tem sua própria rede de esgotos. Com cinco quilômetros quadrados, a embaixada tem quase as mesmas dimensões que a cidade do Vaticano. Nesse lugar é onde os Estados Unidos estão transformando seu enfoque militar em uma diplomacia vigorosa.

 Estatísticas do Departamento de Estado mostram que umas 17 mil pessoas estarão sob a jurisdição do embaixador estadunidense. Aliás, também haverá repartições consulares em Basra, Mosul e Kirkuk, em cada uma das quais trabalharão mais de 1.000 pessoas. E, o que é fundamental, todo este pessoal estadunidense, incluindo os empreiteiros militares e de segurança, terão imunidade diplomática. Essencialmente, a administração Obama está colhendo o capital político de retirar as tropas estadunidenses do Iraque e ao mesmo tempo se protege do impacto da retirada com um aumento dos empreiteiros de segurança privados que, diferentemente de em qualquer outro recanto do mundo, trabalham para uma missão diplomática.

 Aliás, esta "onda" de empreiteiros traz à baila a possibilidade do retorno ao país da controversa empresa Blackwater, agora conhecida como Xe. A empresa foi responsável pela morte de 17 iraquianos, em 2007, na tristemente famosa chacina da praça Nisour, embora o presidente e diretor executivo (da empresa) Ted Wright declarasse, recentemente, ao The Wall Street Journal que gostaria novamente de fazer negócios no Iraque.

 Em 2008, falou-se muito do fato de que, como parte do Acordo do Estatuto das Forças (Status of Forces Agreement, - SOFA) entre os Estados Unidos e o Iraque, os empreiteiros perderiam a imunidade. Contudo, como assinalava um relatório do Congresso estadunidense: "O termo definido no acordo, 'Empreiteiros estadunidenses e seus empregados', aplica-se tão só a empreiteiros que operam sob um contrato/subcontrato com ou para as forças estadunidenses. Portanto, os empreiteiros estadunidenses que operam no Iraque, sob um contrato com outros departamentos ou agências estadunidenses, não estão sujeitos aos termos do SOFA".

 O congressista Jason Chaffetz pôs em dúvida a substituição de forças militares por empreiteiros e perguntou: "Será que, simplesmente, estamos aqui brincando?" Há certa ironia no fato de que a decisão do governo iraquiano de negar a imunidade aos soldados estadunidenses tenha como resultado o aumento do número dos empreiteiros de segurança, muito odiados e não são responsáveis por seus atos".

2. Adestradores militares incluídos como parte dos contratos de armamento

 Calcula-se que há por volta de 400 contratos de armamento entre Bagdá e Washington, por um valor de US$ 10 bilhões, além de outros 110 contratos adicionais, no valor de US$ 900 milhões que, segundo foi informado, estão pendentes. Como parte do contrato, muitos deles exigem adestradores estadunidenses, os quais trabalhariam através da Agência de Cooperação de Segurança da embaixada. A Bloomberg news informava que esta "recém-estabelecida agência terá um pessoal central de 160 civis e militares não uniformados, junto com 750 empreiteiros civis, os quais supervisionarão os programas de assistência do Pentágono, incluindo o adestramento militar. Serão protegidos, alimentados e custodiados por um pessoal adicional contratado de 3,5 mil pessoas, que trabalharão em dez gabinetes espalhados pelo país.

 Em setembro, o Iraque fez o primeiro pagamento de um contrato, no valor de 1,9 bilhão de libras esterlinas, para comprar 18 aviões F-16. O acordo significa que, apesar da afirmação de que o Iraque havia assumido a responsabilidade completa de seu espaço aéreo em outubro, a soberania aérea efetiva estará nas mãos dos estadunidenses, durante os próximos anos, já que eles ajudam a patrulhar os céus do país, controlam seu espaço aéreo e adestram suas forças aéreas. Um alto funcionário iraquiano me explicou, na semana passada: "Somos absolutamente incapazes de defendermos nossas fronteiras. Nem sequer temos um avião de combate para defender nosso espaço aéreo".

3. Os Estados Unidos se movimentam sob o guarda-chuvas da OTAN

 A OTAN tem uma missão de adestramento no Iraque, que permanecerá até 2013. A Aliança está fornecendo seus conhecimentos em logística e vigilância, e juristas iraquianos estão discutindo, atualmente, a extensão da missão da OTAN, que poderia ver assessores militares estadunidenses trabalharem, sob a jurisdição de um acordo assinado em 2004.

4. Aviões não tripulados e assassinatos seletivos

 Com o controle, de fato, por parte dos Estados Unidos do espaço aéreo iraquiano, é provável que Obama recorra, cada vez mais, ao emprego de aviões não tripulados e dos assassinatos seletivos, como um meio de atacar objetivos da Al-Qaeda. Como os Estados Unidos continuam travando a guerra contra a Al-Qaeda, podem achar uma justificação na legítima defesa e no artigo 51º, da Carta das Nações Unidas.

 Com a constante preocupação por um conflito potencial com o Irã, talvez não seja surpreendente que os Estados Unidos não desejem abrir mão da capacidade de influírem nos fatos, in loco, no Iraque. Recentemente, Hillary Clinton declarou aos jornalistas: "Ninguém, muito particularmente o Irã, deveria calcular mal nosso constante compromisso com os avanços dos iraquianos".

 Em seu discurso da sexta-feira, 4 de novembro, Obama disse que os Estados Unidos procuram "um relacionamento normal entre nações soberanas, uma associação igual, baseada nos interesses mútuos e no respeito mútuo". Seja qual for a forma que adotarem, a longo prazo, as relações entre os Estados Unidos e o Iraque, a curto prazo não cabe a menor dúvida de que os Estados Unidos permanecerão no Iraque. (Extraído de The Guardian).

Por James Denselow

Fonte: http://www.patrialatina.com.br/editorias.php?idprog=110e7d180dc9a996341b90c4e61101db&cod=8877

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